sábado, outubro 23, 2010

Sobre a Ida e a Volta



Cheguei
Vim sozinho
Família na varanda
Surpresa geral

Imagens como crianças
Vovó, Huguinho, Beto
Os cachorros
E a rede na varanda

Cerveja
Vamos comemorar
Peixinhos na brasa
Caranguejo

Mas
A alegria é maior
Muito para um só

É triste ser sozinho

O mar corre
Abraça
Rola
Beija

É a mulher
Que me falta
Como uma
Gata macia

Ronronando
Na moita
Nas nuvens suaves
Do luar

O encanto é grande
É maior
Muito grande para um só

É triste ser sozinho

Penso na vida
A levar
Penso na tortura do
Passado

Mas
A lua é cheia
A maré
É alta

Na madrugada
Os coqueiros
Dançam
Em roda viva

Onde
Que navegava
O poeta
Errante

Onde
Em quê barco
Deixou
Seus poemas

Onde
Em que musa
Busquei
Toda poesia

Nem
As estrelas
Salpicando
O grande céu

Nem
O alvorecer
Nos pardais
Do telhado

Explicam
O porquê
De desconhecer
Meu destino

Nossos desencontros

É
Chegar
Depois do
Pau de Arara

Descobrir como
É gostoso
Ficar
De peito nu

Pernas
Ao sol
Apenas o sexo
Sob fino tecido

Mas
O resumo
Da vida
Não é isso

O rascunho
Acho
Que já perdi
Ou nem vi

Os
Hermetistas
Ocultistas
O conhecem

Os
Astrólogos
Também
Sabem, e bem

Passo
A ler
A carta astrológica
As estrelas sabem

Não
Há lógica
Apenas cintilações
Na boca do céu

A lua é
Cheia
Como é
O mar

Lá longe
Onde
Se vai
O último barco

Nas velhas
Coleções
E almanaques
A vida já se jaz

Os cabelos
Os olhos
As pernas
Os sexos

Os ouvidos
Os braços
As mãos
Os sexos

São mulheres
Desenhadas
Nas nuvens
Espumas das ondas

Mulher que
Me falta
Nem Mãe
Nem Irmã

Apenas mulher
Devendo
Ser
Possuída

Disseram
As
Esfinges
“devora-me ou te decifro”

É isso

Não surgiu
Uma mulher
Que me
Decifrasse

Não que
Seja árdua
Tarefa
Diária

Nem
Tão pouco
É fácil
Sob lençóis

Mas
As estrelas
Sabem

Elas
Inatingíveis
No longe
Olhando

Sabendo
Que sua luz
Chegará aqui
Milhões de anos depois

Essas
Cintilações de hoje
São velhas
E rugosas

Mesmo assim
Conseguem
Encantar
Quem as olha

O Poeta
Escreveu
Que “ o homem é eterno até morrer”

Uma
Triste sina
Carregar
Morte em vida

Emerge
Uma dependência
Emocional
Constante

Daí
Necessidade
Fatal
Se amar

E lá vem
A Mulher
Para o
Homem

E lá vem
O Homem
Para a
Mulher

(será que vale atualmente ?)

Procura-se
Uma cara-metade

“Procura-se Cara Metade
Tratar com.....
Telefone......”

Mas
O rascunho
Da vida
Não o vi

Alguém
Deve
Tê-lo
Visto

Viu
E apenas
Observa
Os acontecimentos

É possível
Que nos avise
Onde ir
Como ir

E com
Quem
Devemos ficar
Ou sós
E
Aparecer
Durante o sono
Nos pesadelos

Para
Avisar que
O tempo
Chega ao fim

Acendemos velas
Multicoloridas
Alguns rezam
Mas o fim chega

Mas o que é isso ?
“Nascimento
Vida
Morte
Quem diria”

Mas antes
Do fim
Têm-se os filhos
Para ficar

Conservação da matéria
Lei da hereditariedade
E o amor
Eles, já, os têm

São frutos
De
Uma mulher
 Um homem

O homem
É eterno
Até morrer

E na
Eternidade
Diária
Se perde

Deixa
Para amanhã
Coisas
De ontem

Como
Um beijo
Tchau
Um amor

Nossos
Desencontros
Da
Vida

É
O poema
Maria
Do poeta

A descontinuidade
Da permanência
Na cidade grande
É por isso

Na eternidade
Do dia
O homem
Morre

No
Pau de arara
A vida
Renasce

Vem
Dar seguimento
A vida
Da família

Sou filho
Fruto
De uma mulher
E seu homem

Eles
Querem ter
Continuidade
Na vida

Partida
Ou
Chegada
São fugas

Fuga
Para não morrer
Na eternidade

Fuga
Para não morrer
Decifrado

Fuga
Para um dia parar
E não voltar

Fuga
Da dormência paulista
Dos arranha céus

Mas é dia
Mas é noite

Mas é partida
Mas é chegada

Na ida
Nasce o retorno
É a vida



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