Cheguei
Vim sozinho
Família na varanda
Surpresa geral
Imagens como crianças
Vovó, Huguinho, Beto
Os cachorros
E a rede na varanda
Cerveja
Vamos comemorar
Peixinhos na brasa
Caranguejo
Mas
A alegria é maior
Muito para um só
É triste ser sozinho
O mar corre
Abraça
Rola
Beija
É a mulher
Que me falta
Como uma
Gata macia
Ronronando
Na moita
Nas nuvens suaves
Do luar
O encanto é grande
É maior
Muito grande para um só
É triste ser sozinho
Penso na vida
A levar
Penso na tortura do
Passado
Mas
A lua é cheia
A maré
É alta
Na madrugada
Os coqueiros
Dançam
Em roda viva
Onde
Que navegava
O poeta
Errante
Onde
Em quê barco
Deixou
Seus poemas
Onde
Em que musa
Busquei
Toda poesia
Nem
As estrelas
Salpicando
O grande céu
Nem
O alvorecer
Nos pardais
Do telhado
Explicam
O porquê
De desconhecer
Meu destino
Nossos desencontros
É
Chegar
Depois do
Pau de Arara
Descobrir como
É gostoso
Ficar
De peito nu
Pernas
Ao sol
Apenas o sexo
Sob fino tecido
Mas
O resumo
Da vida
Não é isso
O rascunho
Acho
Que já perdi
Ou nem vi
Os
Hermetistas
Ocultistas
O conhecem
Os
Astrólogos
Também
Sabem, e bem
Passo
A ler
A carta astrológica
As estrelas sabem
Não
Há lógica
Apenas cintilações
Na boca do céu
A lua é
Cheia
Como é
O mar
Lá longe
Onde
Se vai
O último barco
Nas velhas
Coleções
E almanaques
A vida já se jaz
Os cabelos
Os olhos
As pernas
Os sexos
Os ouvidos
Os braços
As mãos
Os sexos
São mulheres
Desenhadas
Nas nuvens
Espumas das ondas
Mulher que
Me falta
Nem Mãe
Nem Irmã
Apenas mulher
Devendo
Ser
Possuída
Já
Disseram
As
Esfinges
“devora-me ou te decifro”
É isso
Não surgiu
Uma mulher
Que me
Decifrasse
Não que
Seja árdua
Tarefa
Diária
Nem
Tão pouco
É fácil
Sob lençóis
Mas
As estrelas
Já
Sabem
Elas
Inatingíveis
No longe
Olhando
Sabendo
Que sua luz
Chegará aqui
Milhões de anos depois
Essas
Cintilações de hoje
São velhas
E rugosas
Mesmo assim
Conseguem
Encantar
Quem as olha
O Poeta
Escreveu
Que “ o homem é eterno até morrer”
Uma
Triste sina
Carregar
Morte em vida
Emerge
Uma dependência
Emocional
Constante
Daí
Necessidade
Fatal
Se amar
E lá vem
A Mulher
Para o
Homem
E lá vem
O Homem
Para a
Mulher
(será que vale atualmente ?)
Procura-se
Uma cara-metade
“Procura-se Cara Metade
Tratar com.....
Telefone......”
Mas
O rascunho
Da vida
Não o vi
Alguém
Deve
Tê-lo
Visto
Viu
E apenas
Observa
Os acontecimentos
É possível
Que nos avise
Onde ir
Como ir
E com
Quem
Devemos ficar
Ou sós
E
Aparecer
Durante o sono
Nos pesadelos
Para
Avisar que
O tempo
Chega ao fim
Acendemos velas
Multicoloridas
Alguns rezam
Mas o fim chega
Mas o que é isso ?
“Nascimento
Vida
Morte
Quem diria”
Mas antes
Do fim
Têm-se os filhos
Para ficar
Conservação da matéria
Lei da hereditariedade
E o amor
Eles, já, os têm
São frutos
De
Uma mulher
Um homem
O homem
É eterno
Até morrer
E na
Eternidade
Diária
Se perde
Deixa
Para amanhã
Coisas
De ontem
Como
Um beijo
Tchau
Um amor
Nossos
Desencontros
Da
Vida
É
O poema
Maria
Do poeta
A descontinuidade
Da permanência
Na cidade grande
É por isso
Na eternidade
Do dia
O homem
Morre
No
Pau de arara
A vida
Renasce
Vem
Dar seguimento
A vida
Da família
Sou filho
Fruto
De uma mulher
E seu homem
Eles
Querem ter
Continuidade
Na vida
Partida
Ou
Chegada
São fugas
Fuga
Para não morrer
Na eternidade
Fuga
Para não morrer
Decifrado
Fuga
Para um dia parar
E não voltar
Fuga
Da dormência paulista
Dos arranha céus
Mas é dia
Mas é noite
Mas é partida
Mas é chegada
Na ida
Nasce o retorno

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