quinta-feira, outubro 28, 2010

Generalíssimo

Dos túmulos saíram os ossos
Estavam brancos e empoeirados

Eram do Generalíssimo
No peito as condecorações brilharam

Era como se tomassem vida ao sol
Ofuscaram meus olhos

Abrimos o saco plástico
Jogamos o Generalíssimo lá

O povo observava em silêncio
As mãos crispadas, imóveis

As mães com seus filhos
Olhavam em filas imensas

Passados vinte anos
A cova foi novamente aberta

Desta vez para desenterrar
E não para sepultar

Abrimos a cova
Enterramos a história

Nenhum comentário: