segunda-feira, outubro 18, 2010

Porto

Porto

Imaginei-te pequena
Para suportar o meu legado

Imaginei-te triste
Por seres tão calada

Imaginei-te solitária
Por seres tão inconstante

Imaginei-te homem
E te chamei de porto

Deixei o mar
Violentar teu corpo

Não te procurei
Por não teres tempestades

Não te quis
Por não seres rota

Não atraquei
Por não ter amarras

Deixei-te na costa
Impune e sem afeto

Imaginei-te porto
E te chamei mulher

Transformei-me em feto

No silêncio do vento
Cheguei ao teu ventre

Possesso na cumplicidade
Da noite e do mar, te possuí.

Imaginei-te porto, te amei mulher.
 
 

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