Quatro Guerreiras
Minhas guerras vieram de algum lugar perdido entre rios amazônicos. Descobri isso sentado em umas das mesas do Bar do DCE, na História. Estava tomando uma loira suadinha, uma mesa, um copo e cinco espíritos. Aos poucos se materializavam, ninguém estranhou. São quatro guerreiras sedutoras e místicas.
Uma é loira, olhos azuis e muito branca. Tinha lábios vermelhos em demasia. Muito sorridente. Sua espada é de ouro.
Disse ser a fortuna.
Pediu-me para prossegui-la.
Outra é morena flor d’água. Cabelos soltos. Uma verdadeira e rara simplicidade. Não trazia armas. Mostrou-me seu colo, seu ventre macio.
Disse ser a Terra.
Pediu-me fecundação.
A de minha esquerda direita estava envolvida numa penumbra alveolar. Sua voz chegava-me como uma canção Olenírica.
Disse-me ser a felicidade.
Pediu-me para amá-la.
A de minha esquerda tinha os olhos fechados. As outras a chamaram. Devagar levantou as pálpebras. Onde deveria estar suas órbitas estava o sangue. Sua voz saiu firme e pausada:
Sou a morte.
Nada te peço.
Não tentes me possuir.
Não me ames.
Não me tenhas medo.
Apenas não me esqueças.
Brindamos os cinco a uma guerra calma e sem maiores exageros. Convidei-as e dei-lhes cervejas geladas, pingas e as deixei bêbedas.
Por fim, empunhei um copo e brindei:
“o Homem pode, é certo, fazer o que quer, mas não pode querer o que quer.”
(Schopenhauer)
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