De lembranças curtidas
Sejam tuas ou não
Já sou composto
E uma certeza maior
Levanta-se sobre outras
Como um Líder cruel
Ordena-me a seguir
Por uma vida nômade
Procurando uma Terra
Uma talvez prometida
Promessas não tenho
Na bagagem, só realidades
De uma escola inquieta
Que eu não sei se gosto
Se a devoro ou a abandono
De um amor desvairado
Que sinto por ti
Sou uma ovelha longe demais
De seu rebanho, este sem pastor
Procuro a verdade
Do conhecimento
Procuro a clareza
Da alma humana
Procuro um amor
Sem medo ou negações
Procuro uma rota
Um farol, uma ilha
Iluminando um corpo
Corpo que seja apenas meu
Vivo ou morto, latente
Convulsionado, epilético
Mas que seja o meu
Procuro uma trilha
Neste sertão ardente
Sem ranchos ou sítios
Sem varandas ou açudes
Sem redes ou cafunés
Onde se enterrou um corpo
Corpo que seja apenas meu
Renegado, alucinado
Devorado e rejeitado
Mas que seja o meu
Uma besta apocalíptica
Conduz a breve resposta
“Onde estou estará a Verdade”
A verdade de Dante
Vinda dos Infernos
A Verdade dos cabarés
Vinda das sifilíticas
A Verdade de um ovo
Conduzindo a galinha
Eterno nas formas
Abominável por ser oval
A Verdade do equilíbrio
Das cinco luas terrestres
Modificando um sonho
Transtornado na madrugada
Das noivas sem véus
Das cabaças vazias no rio
A Verdade de um coqueiro
Abraçando seu tronco, suas palmas
Aconchegando uma sombra leve
Num mar revolto pelo sol
A Verdade da inocência
Das crianças inacabadas
Feitas de sangue e placenta
A Verdade dos jornais
Trazidos na reportagem
De um Poeta sem emprego
A Verdade das escrituras
Tão vulgares que são sagradas
Eleitas assim a serem imortais
Não !!
Desisto de ser Eu !!!
Quero ser uma sonata
Escrita por Beethoven
Ouvida num parque colorido
Cheio de lindas crianças
Todas calmas e surdas
Ou mesmo um quadro a óleo
Pintado por El Greco
E ser exposto num salão
Majestoso de ouro brilhante
Para que os cegos me vejam
Quero ser uma loucura
Acometida de prazer
Sendo assim nessas horas
A caneta repousará
Deixando apenas murmurando
Um Poema de Neruda
Sendo assim no toque
Do telefone ou campainha
Sairei pela garganta
Saltarei pelos olhos
E te direi: Não
Mas não te preocupes
Nada sou ou serei
Nada fui também
Apenas não gostes de tudo
Que escrevo quando de ressaca
Nem tudo é verdade
Nem tudo é mentira
Mas procure nos Poemas
Não a rima inexistente
Nem a métrica conseqüente
Procure as sutilezas
Que me levam a fugir
Da realidade e voar
Mesmo na Sonata em Dó Menor
Op. 13, “Patética” do Gênio
Não procures a razão da fuga
Se puderes me prender
Numa gaiola de beijos
Numa renda de abraços
Num leito, nossa alcova
Eu permitiria tua presença
Levantar-te-ía do chão
Soprando em teus lábios
Pétalas de Poemas-Teus
Esperando tua vontade
Desejaria teu colo só meu
Bebendo dele o Néctar
De uma só Deusa d’amor
Metamorfosearia nosso
Passado, presente e futuro
Deixando-os presos nas pernas
Nos braços, nos sexos
Podes prender-me sim !!!
Basta um amor como o meu
Os dois não nos desejariam
Junto, poderíamos morrer
Morrer primeiro em: Allegro com Brio
E depois: Largo
Não queres ?
“Morrer não é muito novo, e viver não traz novidade alguma”
Não sou
Teu dono nem Senhor
Não sou
Teu Amado, nem Amor
Sou, antes de mim
Teu grande Amigo
Algo bem assim
“Não te castigo
Não te mereço
Em ti reconheço
Parte de uma vida
És reconhecida
Por um coração
De Poeta, talvez
Sem imaginação
Te amou outra vez
Amou um amor diferente
Amou um amor distante
Mas sempre foi constante
Não chorou um instante”
Sorriu, beijou tua foto bela
E disse:
Estou de porre
Por causa dela
Mas de saudade
Ninguém morre
Sem maldade
Brincam comigo
É Amigo
Dor da distância
É passageira
Uma infância
Que voa ligeira
Já vem Agosto
Com o gosto
De seus beijos
São teus desejos
São teus gracejos
Meu Amigo
Meu castigo
Não tem mistério
Amigo meu
Sou mesmo Eu
De bebedeira
Fiz esta brincadeira

Nenhum comentário:
Postar um comentário