O barro entrava entre meus dedos dos pés. O mangue era realmente feio. Bonita era Maria, ela corria entre as ramagens retorcidas. Aqui e ali, viam-se caranguejos e guaiamus. O Antônio estava enterrado até o peito na lama. Ele era o bom, sempre os pegava em maior quantidade.
Aos onze anos de idade, eu andava sempre atrás da Maria e não sabia por que. Talvez fosse a sua bunda tão fofa, que um dia vi quando se abaixou para mixar. Até este dia, só tinha visto as bundas de meus irmãos, iguais a minha. A da Maria era diferente, sua brancura contrastava com o negro da lama.
Maria se foi. O Tonho pegou cinco caranguejos e fomos embora. No caminho falou de suas últimas sacanagens: ele e o José andavam fazendo troca-troca. Disse que ia encontrar com ele agora. Pedi para ver e ele deixou.
Chegamos ao barraco onde morava o José, que estava jogando peão e veio correndo. Olhou os caranguejos e tentou contar, mas só sabia até três. Fomos até os morrinhos salpicados das dunas, sentei e fiquei esperando os dois começarem.
Primeiro foi o Tonho, todo sujo de lama. José deu um gritinho e pediu para ele ir depressa. Na vez dele, o Tonho se recusou e dizendo que estava atrasado, saiu correndo. José chorou, esperneou e, sujo de lama, voltou devagar para o barraco. Foi a terceira vez que o Tonho fez isto.
Continuava sentado quando umas mãos cobriram meus olhos e uma voz disse:
- Adivinha que é ?
Reconhecia a Maria pelo “quem”, pois ela falava “queeem”, mas fingi que não sabia que era ela. Ela falou pertinho de meu ouvido:
- é a tua Maria !
Pensava no sentido da “tua Maria” quando duas mãos correram rápidas ao meu pequeno sexo. Maria caiu sobre mim colocando meu sexo em sua boca. Tentava me separar – ela vai engoli-lo, só tenho um – gritei a toa.
O pequeno sexo ficou teso, Maria caiu de costas, abriu as pernas. Eu estava cada vez mais espantado, mas queria fugir, mas queria ficar. Pediu-me para deitar em cima. Eu tremia. Maria pegou meu sexo e colocou dentro dela.
- Se mexe moleque!
- Se mexe!
Qual um cão e uma cadela eu fiz. Maria puxou meus cabelos, me mordeu, me arranhou.
- Se mexe moleque !
Um calor fugiu de mim, fiquei tonto.
- Se mexe moleque !
- Levanta moleque !
Maria ficou de quatro. Sua bunda me olhava pálida. Assustado, me aproximei. Examinei cada detalhe d’aquela bunda – algo estranho.
- Se mexe moleque !
- Coloca aí também !
Eu não sabia onde. Um dedo indicou-me o lugar. Coloquei o dedão.
- Isso não moleque !
- O teu pau !
Obedeci.
- Se mexe moleque !
- Se mexe moleque !
Novamente o calor saiu. Maria me empurrou e colocou-o na boca.
- Chega moleque !
- É assim que tu tem que fazer !
- É com a Maria e não com moleque !
- Agora vai embora !
Corri. Entrei ainda assustado em casa, que estava vazia – todos no vizinho. Fui ao banheiro, chorei, me lavei e jurei não dizer nada a ninguém o que a Maria fez comigo.
Hoje penso que vários moleques também devem ter agradecido as Marias, que devem ser muitas neste mundo.
Obrigado Maria.
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