segunda-feira, novembro 29, 2010

Para Dormir

A tarde, o sol pede clemência
A noite não pede licença

Chega impune e silenciosa
Como guerreira vitoriosa

Ao passar das horas o sono não vem
Divago e tento pensar em alguém

Para a insônia afastar de mim
E os olhos fechar por fim

Conto milhões de ovelhas e outros animais
Mas nem isto adianta mais

Busco um remédio para a noite
Que seja tão forte quando um açoite

Fecho os olhos e crio um roteiro
Uma estória de amor por inteiro

Busco a imagem de meu amado
A noite na praia ao meu lado

Promessas de amor jurando
Nos olhos profundos olhando

Assim crio meu noturno sonho
E meus desejos exponho

Ah Noite
Passastes de minha inimiga
Para minha melhor amiga

Pois só contigo posso sonhar
E mais um dia, por fim ganhar





sexta-feira, novembro 26, 2010

Tristeza

Estou triste
Ela ignora-me totalmente
A vista de todos
Não existo
Sou invisível

Cumprimenta a  todos
Menos a mim
Despede-se de todos
Menos de mim

Se amar um pessoa
Faz ignorá-la nas crises
Penso que o ódio
Não é verdadeiro

Mas o amor que é imenso
Desfaz-se aos poucos
E quem sabe no final
O coração ignore o presente
E por fim a felicidade volte


quinta-feira, novembro 25, 2010

O Tempo

Um telefonema desaba nossos mundos
E passam-se os segundos

Encontras-me e me ignoras
E passam-se as horas

Ódio em teus olhos irradias
E passam-se os dias

Fim de um amor sem pêsames
E passam-se os meses

Vivendo entre vários enganos
E passam-se os anos

Expectativas não atendidas
E passam nossas vidas

Ver o tempo entre meus dedos escorrer
É ter uma eternidade para morrer


terça-feira, novembro 23, 2010

Amiga de Avaré

As madrugadas ficam mais belas
Quando apareces entre janelas

Companheira da madrugada
Alegrando a noite ainda vaga

Será Avaré muito distante
Para um Poeta viajante ?



segunda-feira, novembro 22, 2010

Lua de Novembro

O sangue está mais quente
O ar está mais parado

Prenúncio de Lua Cheia
Chegando em Novembro

Com o corpo ardente
Sinto-me mais e mais agitado

O desejo minha mente recheia
As noites contigo relembro

Saio para a Lua admirar
E fico a conspirar

Estarão os Escorpianos
Como eu, tão levianos ?



sábado, novembro 20, 2010

Sentir falta de mim

Jurar esquecer o amor banido
Ultrapassar limites temporais

Levitar o peso do passado
Ignorar feridas ainda abertas

Alterar a loucura e a sanidade
Navegar sem bússola ou cartas
Antever uma paz futura

Lamentar os descaminhos
Alternar em camas vazias

Temer a solidão sem sol
Ouvir palavras não ditas

Recordar o que não houve
Realizar o impensado

Aguardar reações inesperadas
Compensar desejos injustificados

Adeus por fim

Sentir falta de mim

Inexplicável

Vem um nó na garganta
Quando por mim você passa
Tentar disfarçar não adianta
E qualquer ação fracassa

Tênue linha entre ódio e amor
Unindo e separando almas gêmeas
Que buscam solitário clamor
Nas nossas vidas heterogêneas

Minto que já és parte do passado
Minha mente dominando sentimentos
Lutando contra um coração apossado
Depois de tantos acontecimentos

És mais forte e ficas a me encarar
Com pensada indiferença para ferir
Este que jurou não mais te amar
Mas que na verdade está a fingir



sexta-feira, novembro 19, 2010

Desabafo de uma Mulher

Dentro de mim
Sufoca-me
Aquela que não quer mais falar

Dentro de mim
Maltrata-me
Aquela que não quer se mostrar

Dentro de mim
Vive outra
Que tem medo da luz

Dentro de mim
Devora-me
Aquela que tem medo dos homens

Dentro de mim
Morre outra
Que quer me matar


sábado, novembro 13, 2010

Obrigado Maria

O barro entrava entre meus dedos dos pés. O mangue era realmente feio. Bonita era Maria, ela corria entre as ramagens retorcidas. Aqui e ali, viam-se caranguejos e guaiamus. O Antônio estava enterrado até o peito na lama. Ele era o bom, sempre os pegava em maior quantidade.

Aos onze anos de idade, eu andava sempre atrás da Maria e não sabia por que. Talvez fosse a sua bunda tão fofa, que um dia vi quando se abaixou para mixar. Até este dia, só tinha visto as bundas de meus irmãos, iguais a minha. A da Maria era diferente, sua brancura contrastava com o negro da lama.
Maria se foi. O Tonho pegou cinco caranguejos e fomos embora. No caminho falou de suas últimas sacanagens: ele e o José andavam fazendo troca-troca. Disse que ia encontrar com ele agora. Pedi para ver e ele deixou.

Chegamos ao barraco onde morava o José, que estava jogando peão e veio correndo. Olhou os caranguejos e tentou contar, mas só sabia até três. Fomos até os morrinhos salpicados das dunas, sentei e fiquei esperando os dois começarem.

Primeiro foi o Tonho, todo sujo de lama. José deu um gritinho e pediu para ele ir depressa. Na vez dele, o Tonho se recusou e dizendo que estava atrasado, saiu correndo. José chorou, esperneou e, sujo de lama, voltou devagar para o barraco. Foi a terceira vez que o Tonho fez isto.

Continuava sentado quando umas mãos cobriram meus olhos e uma voz disse:
- Adivinha que é ?

Reconhecia a Maria pelo “quem”, pois ela falava “queeem”, mas fingi que não sabia que era ela. Ela falou pertinho de meu ouvido:
- é a tua Maria !

Pensava no sentido da “tua Maria” quando duas mãos correram rápidas ao meu pequeno sexo. Maria caiu sobre mim colocando meu sexo em sua boca. Tentava me separar – ela vai engoli-lo, só tenho um – gritei a toa.

O pequeno sexo ficou teso, Maria caiu de costas, abriu as pernas. Eu estava cada vez mais espantado, mas queria fugir, mas queria ficar. Pediu-me para deitar em cima. Eu tremia. Maria pegou meu sexo e colocou dentro dela.

- Se mexe moleque!
- Se mexe!

Qual um cão e uma cadela eu fiz. Maria puxou meus cabelos, me mordeu, me arranhou.

- Se mexe moleque !

Um calor fugiu de mim, fiquei tonto.

- Se mexe moleque !
- Levanta moleque !

Maria ficou de quatro. Sua bunda me olhava pálida. Assustado, me aproximei. Examinei cada detalhe d’aquela bunda – algo estranho.

- Se mexe moleque !
- Coloca aí também !

Eu não sabia onde. Um dedo indicou-me o lugar. Coloquei o dedão.

- Isso não moleque !
- O teu pau !

Obedeci.

- Se mexe moleque !
- Se mexe moleque !

Novamente o calor saiu. Maria me empurrou e colocou-o na boca.

- Chega moleque !
- É assim que tu tem que fazer !
- É com a Maria e não com moleque !
- Agora vai embora !

Corri. Entrei ainda assustado em casa, que estava vazia – todos no vizinho. Fui ao banheiro, chorei, me lavei e jurei não dizer nada a ninguém o que a Maria fez comigo.

Hoje penso que vários moleques também devem ter agradecido as Marias, que devem ser muitas neste mundo.

Obrigado Maria.


Signos

A intensidade dos sentimentos
Faz pender a balança das emoções

O amor e o ódio em equilíbrio
Dinâmico como a natureza sábia

Sabia premonitivamente dos fatos
Que ocorreriam em nossa união

A leveza de teus gestos e palavras
Fundiram-se com minha eterna procura

A história é igual há séculos
O coração infeliz procura a luz

Encontrei não só a luz em ti
Descobri não só a arte que te criou
Uma pessoa muito agradável
A magia inerente a homogeneidade de ideias

Das premonições que tive tempos atrás
A que marcou foi o início e o fim

O início que durou um ano e mais
Talvez tenha sido pensado pelo destino

Quis ele que
Tivéssemos passados situações tristes
Tivéssemos perdido um amor
Tivéssemos grandes decepções

Até tomar a decisão de acabar
Todos os relacionamentos que tinha
Como o coração aberto ao mundo
Quis ele que te encontrasse

E te encontrando, quis ele
Que todos meus sonhos voltassem à tona
Apaixonar-me foi consequência

Consequência de tamanha intensidade
Que toma vida independente de nós

Nunca, até então, fui tão seguro
De uma paixão diuturna, verdadeira

Mas os Signos tomam conta de vidas
Que estão presas à semiótica secular

Os Signos do sofrer
Os Signos das camas vazias
Os Signos da solidão
Estão tatuados em mim
Embora minimizes com um “decidas”
Não é assim....

A necessidade de almas que se fundem
É traduzida pelo sexo

É as vezes tão bom
Quando se pode e se quer
Que até uma rua vazia
Transforma-se num altar dourado

Existem outros Signos de possessão
De onde emergem tristezas emboloradas
Depois de séculos no porão úmido
Que é o inconsciente indesejado

Não me queres fumando
O Signo é o desrespeito a ti
E a mim mesmo

Não me queres longe de ti
Como se pudesses não me prender
Com a magia que tens e não percebes
E de mim,
Queria-te apenas minha

Signos de sofrimento
É a insegurança
E a falsa fidelidade

Não tento explicar o fim
Pois não há
Tudo é cíclico

Apenas, na circunvolução das vidas
Os sentimentos tornam-se antagônicos

Podias amar
Podes odiar
Podes ser indiferente

Não eu
Sei o que significas em minha vida

Não será amanhã
Que deixarei de gostar de ti



O Sino no Chaveiro

Os símbolos que temos a nos acompanhar
São muito complexos de se decifrar

Um exemplo que se fixou em minha vida
É um simples chaveiro
- Dado até após muita insistência –
Com um Sino

Dos Antigos sabemos que os sinos tocam
Signos de vida
Que afugentam
Signos da Morte

Compreendi na viagem de moto pela Rio – Santos
O quanto um objeto representa o elo entre os seres

O simples barulhinho do Sino
Quando a moto batia nos buracos
Lembrava-me que todo sentido
De viver vale a pena

Compreendi que um Sino
- distante e a 160 –
Representava o quão é imortal uma amizade

Desde então
Sou mais feliz



Olhos

Defino o teu olhar
Diamante que corta
Expõe sentimentos ocultos de ti

Simples para desvendares
Que sou
Que posso ser teu
Olhando-me assim
Tão de perto

Desvio o olhar
Focalizo teus lábios carnudos
Imperceptíveis palavras escapam

Decodifico com incredulidade
A insegurança da vida tem força
Sobre a definição da paixão

Ainda me olhas
Olho teus olhos
Sussurras
Quero te amar
  
Olho teus olhos
Decifrastes-me

Simples quando se sabe
Ser uma mulher como és



Volta à Sampa

Voltar à Sampa após longa ausência
É percorrer as trilhas de um passado
Que gosto de lembrar como ilhas da Rio – Santos
Que embelezam meus olhos cansados
De tanta natureza agredida por caprichos do homem

O passado pesa como uma garupa indesejável
Que esperamos que desça na esquina
Mas que por razões inexplicáveis permanece
Até segurando na cintura e sussurrando ao ouvido
Promessas de futuros sem definições e com sabores
Que lembram frutas verdes e amarram

Mas, seguir viagem é destino de todos nós
Navegantes da nau chamada Terra
Perdida dos portos sagrados e a deriva
Neste universo de milhões de milhas
De ilusões na terra de ninguém

Imaginando algum porto seguro
Sem bússola e com o leme quebrado
Naveguei em círculos e voltar a ti
Sampa

Tens rios e mares que já conheço
Sabendo-os inconstantes
E com traiçoeiras correntezas
Lanço novamente as âncoras e amarras
Em um porto que conheço muito bem
Bexiga





Distância do Destino

Do indecifrável passado que tivemos em comum
São conhecidos apenas os lugares perdidos
Entre a Avenida Paulista e a Consolação
Onde poderíamos ter construído um futuro

Andar na Paulista é navegar contra a correnteza
Do passado de tuas águas
Onde mergulhei tantas vezes
Como Albatrozes que agora se divertem
Na praia vazia que é meu coração

Se lembranças estão
No asfalto da Paulista
E na escadaria do Gazetão
É devido às transformações feitas pelos homens
Que constroem o mundo e encurtam as distâncias
Tornando o Japão tão perto

O que são vinte e quatro horas de voo até lá ?
Já gozamos mais tempo num só dia na cama
Que viajar até o céu e o inferno era apenas
Orgasmos que tínhamos entre promessas de amor

Por se ter uma distância e um destino a cumprir
É que meus dias e noites não têm mais fim
E o cansaço da mente exausta
De viajar até você no Astral cósmico
Pede o nascimento do sol de um novo amor



Uma Vez

Uma vez amei
Uma vez senti o amor
Explodindo em teu gozo

Uma vez gozei
Uma vez sentir o gozar
Explodindo em teu amor

Uma vez fui homem
Uma vez fui mulher
Explodindo em teu sexo

Uma vez fui poeta
Uma vez fiz versos
Explodindo em tua inspiração

Uma vez fui feliz
Uma vez fui teu

Agora em tua distância
Sou apenas saudades





Bares e Boates

Poderíamos não ser inconsequentes
Mas muito nos faz indiferentes

Ontem na cama balançávamos
De manhã os lençóis manchados

Hoje juntamos os mútuos achados
Entre as farpas que atirávamos

As vezes encontravas-me no bar
Com mulheres no colo a beber

Olhavas-me nos olhos a perguntar
Onde está a vida que iríamos viver

Talvez já tenhas um outro amor
Eu não, apenas uma vida incolor

Onde só 
Vivo
E vejo
Cores nas luzes
Dos bares e boates




Interrogação

Se o amor tem mil faces
Uma delas se apresenta
Quando olho nos teus olhos

Eles têm também mil disfarces
Que me confundem

Deitada na cama
Olhando-me na varanda
Pergunto-me o que indagas

Não tenho respostas
Nem pressa

É delicioso te olhar
Teus cabelos
Lábios de batom

E uma interrogação em mim
Por que gostar tanto de ti ?





Roda da Vida

Novamente te encontrar
Seria modificar as sequências
Naturais da roda da vida

Será para que um encontro
Justifique o passado

Ou será para que o passado
Justifique o futuro ?



O Pintor

Falta à pintura da beleza que sentimos existir em todo dia ao alcance das mãos apenas a concentração, ou existe realmente a necessidade intrínseca do dom da pintura ?

Se fosse apenas a constância da beleza, que és, ao meu lado, seria fácil pintar-te !

Não consigo

Será que nunca serei pintor
Ou será a saudade que tenho de ti ?




segunda-feira, novembro 08, 2010

Fotos do Casamento





Fotos do Casamento

Do baú de minha Mãe
Fotos revelam um passado
Que temia não esquecer

Meu irmão as entrega
Sem saber do efeito
Que poderiam causar

Já foram vinte e três anos
E tanto escrevi desta saudade
Que imaginei infinita

Agora vendo seu casamento
O seu não retorno
Era destino ficar no Japão

Imagino seus filhos crescidos
Mais velha como eu
E vendo fotos antigas

Pensando que a eternidade
Suposta do nosso amor
Não foi vista pelo fotógrafo

Amor Insepulto





Amor Insepulto

Correndo em Fortaleza
Vejo-o no final da praia
Como um corpo insepulto

Talvez tenha uma beleza
Que olhares ainda atraia
Terá algum segredo oculto ?

Penso que amou demais
E agora a todos está exposto
Para seu amor desvendar

Voltam lembranças abismais
De um amor decomposto
Que demora a findar

Como um corpo a enferrujar
Sob o sol e ondas padecer
A morte chega lenta

Viu um dia alguém jurar
Seu amor nunca esquecer
 E alguma esperança o alimenta ?

sábado, novembro 06, 2010

Tua Foto e o Photoshop




Nas fotos do arquivo
Apareces linda, sorrindo

Será o amor ainda vivo
Flecha o coração atingindo

Procuro a data na memória
Lapsos do tempo feliz

Lembrança aleatória
Do amor sem raiz

Posso a foto editar
Colocar-me ao teu lado

Falsas lembranças criar
D'um amor inacabado

sexta-feira, novembro 05, 2010

Manaus para Fortaleza

Da última vez aqui
O coração estava triste

Estavas distante
E com outro amor

Hoje dancei
Toda a noite

Esqueci a viagem
Sem você, sem ninguém
Apenas Eu
Procurando a felicidade

Que pena
Próxima parada: Fortaleza
Trará lembranças não realizadas

Não viestes
Conselhos de Mãe
Não seguidos

Não te pedirei para ires
Como já fiz recentemente

Mas se vieres
O coração disparará
E de felicidades
Baterá mais forte
Como as ondas
Que quebram por ti