quinta-feira, dezembro 30, 2010

Pensamentos anotados......

Pensamentos anotados......2012/2013

1 - Do Amor

Ame a ti mesmo com intensidade
Pois só assim amarás outra pessoa

Já encontrastes um amor
Que seja o maior de tua vida
Mas que também seja menor
Que o amor que tens por ti
Só assim haverá espaço
Para uma vida a dois

Perdestes teu grande amor
Não deixe de te amares
Pois este é muito maior
Que qualquer outro
E só assim encontrarás
Um amor maior do que se foi

Começas a gostar de outra pessoa
Não conjugues o verbo gostar muito rápido
Dê tempo para que se torne amor
Só assim poderás esculpir
Em teu coração as pegadas
Profundas de um novo amor

Planejas viver com outra pessoa
Saibas que será difícil
Perde-se um pouco da solidão
Ou se ganha muito dela
Quando não estiverem juntos
É preciso saber viver sozinho
Para depois dividir um mesmo teto

Vives com outra pessoa
E o amor não está mais presente
Abras as janelas
Deixes o sol entrar
E olhes para fora
Para lembrar que lá
A vida continua a correr
Saias e percebas que a vida a dois
Não deve extinguir o sentido de viver
Voltes e olhes seus olhos
Se não conseguires ver sua alma sorrir
Digas adeus e vás embora

Amas mais de uma pessoa
Não tenhas vergonha
Pois sempre amarás assim
No mínimo a ti e a outra pessoa

Amas mais de duas pessoas
Deixes que decidam se souberem
Se não, que sejam cúmplices
De teu grande amor

Não te amas e não amas ninguém
Não te preocupes
Como diz a música
“Não existe amor
Existem apenas provas do amor”



2 – Do Trabalho

Deves também amá-lo
Ou no mínimo gostares dele
Já que a escolha foi tua
Seja por desejo
Ou por necessidade

Dele não gostas mais
Se puderes, digas adeus e vás embora
Se não, fiques e vejas os lados positivos
Percebas que eles existem
E podes redescobrir o que te levou até ele

Sentes que o tempo parou
As oportunidades não apareceram
Ou passaram longe de ti
Não desanimes tão rápido
Conheces tuas fraquezas e forças
Uma delas afastou tuas chances
Tens que descobrir qual delas foi
E melhorá-la, se fraqueza
Ou dosá-la, se força

As pessoas te excluem
Deves aceitá-las para que te aceitem
Como são
Como és
Tão diferentes
Abras os braços
Para poderes abraçar
Para receberes abraços

Como na vida
Deves fazer a diferença
Procures deixar tua presença
Em tudo que fazes
E isto só é possível
Se tudo fizeres com paixão
Não deixes de te apaixonar todos os dias
Só assim tua contribuição será permanente

Nunca pares de estudar
Os teus neurônios dependem
De como te alimentas do saber
Encontres minutos do dia
Para estudares
Encontres minutos da noite
Para estudares mais ainda
Caso contrário eles morrerão
E envelhecerás muito rápido

Contestes idéias
Só assim a realidade
Poderá ser mudada


3 – Da Vida

Procures responder as eternas perguntas
De onde vim ?
Quem eu sou ?
Para onde vou ?
 Só assim a vida terá sentido
Pois nunca encontrarás
As respostas
E a vida será vivida
Como deve ser
Questionando-a

Vivas e deixes outras pessoas viverem
As pessoas que encontrares
Serão especiais
Já que os destinos
Foram cruzados
Mas não procures a razão
Destes encontros
Um dos maiores mistérios da vida
São estes destinos cruzados

Vida e Morte estão eternamente abraçadas
Não chores por muito tempo a morte
De uma pessoa querida
Guarde-a em teu coração
De tempos em tempos
Lembres dela com amor

Desejas um filho
Deves fazê-lo
Caso não possas
Adotes um
Deves amá-lo

Mas lembres que não te pertencem
Por isso deves criá-los para a vida

No final de ano
Penses no que desejastes fazer
Anotes as vitórias
Anotes as derrotas

Lembres que a vida
É feita de infinitas batalhas

Decidas quais delas
Serão as que queres ter
No ano que vem

Sejam quais forem
Contes comigo


sexta-feira, dezembro 24, 2010

Ateu no Natal

Sou Ateu
Mas meu Deus
Não é pequeno

Possui o destino em suas mãos
Possui as verdadeiras razões
De aqui estarmos
De nos encontrarmos

As questões mais simples
Ainda não possuem respostas

Quem sou ?
De onde vim ?
Para onde vou ?

Estudei vários Livros Sagrados
Procurando respostas em vão

Vivo várias vidas
Deslumbrado com Pessoas
Tão diferentes que nelas me encontro

Apenas percebo que algumas
Foram enviadas por Ele
Por vários destinos a cumprir
O Tempo que passamos juntos
É um Carma a realizar

Alguns passam rápido
E serão eternos

Outros passam devagar
Mas nada acrescentam na vida

Outros se tornam simbióticos
E sem eles não posso viver

Destes últimos fazes parte
As várias vidas só possuem sentido
Quando estão contigo

Longe ou perto de ti
Sou Ateu
Mas também sou teu

Te desejo um Feliz Natal


segunda-feira, dezembro 20, 2010

Cyro e as Várias Vidas dentro das Gavetas

Encontro o Cyro para almoçar
O meio do dia que começou caótico

As primeiras horas foram tristes
E não escondo o desconforto

Amigo sábio logo percebe a razão
E fala-me das Gavetas que temos

Sugere que guarde a tristeza em uma delas
E que abra outra com Felicidades guardadas

Após a segunda caipirinha concordo
Somos feitos de Gavetas !!!

Nelas devemos guardar nossas várias Vidas
Algumas para serem fechadas para sempre
Outras para deixarmos abertas
Para momentos felizes buscarmos

Guardei o pedaço ruim do dia
Em uma Gaveta vazia

Memórias retirei de outra
Bons momentos que tivemos juntos

Lembrá-los foi fantástico para nós dois
Pois de muitos não lembrávamos
Entre risadas o dia tornou-se feliz

No Nanako aprendi mais uma lição do Mestre
Pensarmos como se tivéssemos
Várias Vidas dentro das Gavetas







sábado, dezembro 11, 2010

Conclusão Tardia

Nestes dias insanos fazes comigo
O que várias vezes fiz contigo

Agora consigo perceber o mal que te fiz
E o quanto posso ter te deixado infeliz

Até em suicídio pensei novamente
Depois que tudo veio a minha mente

Nós dois entre as várias reconciliações
Partimos de vez nossos corações

Deixando-os sangrar por uma eternidade
Sem importar se um dia voltaria a felicidade

Um ano termina como o outro começou
Eu transmutado não sei mais o que sou

Procurando conselhos sábios com meu Pai
Devendo um amor fugidio que vem e vai

Prometemos eterno amor após as brigas
E pudestes conversar com tuas amigas

Eu sozinho em pensamentos sem desabafar
Após a separação vi minha vida desabar

Almoçamos e o futuro conversamos
Planos feitos e as bases acordamos

Noite de insanidade em uma separação
Vendo os entes Amados que choram em vão

Para um novo amor estou indo embora  
Penso que não adianta chorarem agora

O que sinto por ela é muito mais forte
E que o destino deseje-me boa sorte

Noites sem dormir e no choro conversando
Dias tristes vendo a vida nos separando

Enquanto eu fazia o que tinha prometido
Compravas para a viagem belo vestido

Almoçamos e vemos as promessas renovar
Dizes que não deixastes de me amar

Estou feliz por ter a melhor decisão tomado
Estou feliz por me sentir por ti amado

 A Vida e a Lei da Compensação Universal
Descubro tarde o que me fez tão mal

Continuas com ele e estou fora de teus planos
Vejo a vida desabar depois de tantos anos

Ficamos mudos e assim permanecemos
Com rancor todos os dias amanhecemos

Agora os olhos não mais se procuram
Agora as mãos não mais se provocam

Ficou um telefonema inacabado
Pois que te chamava teu amado

Apenas lembro das últimas palavras ditas
Com ele és feliz e ficas

Terminando a ligação dizes que comigo
Não desejas que seja nem ao menos um amigo

Freud e Jung buscam me ajudar
Pois não tenho com quem conversar

Explicam processo de conscientização
O primeiro passo é a aceitação

Aceito como verdade
Minha nova realidade

Dizem que passo seguinte é a negação
Nego que estive certo ou são

Por fim, dizem que devo a vida aceitar
Como ela é ou como se apresentar

Concluo que estão com a razão
E novamente fecho o coração

E assim vão-se os anos
Entre acertos e desenganos

Que foi amor verdadeiro posso dizer
Mas o que posso fazer

Além de concluir tarde demais
Que foi o maior e não o terei jamais


sexta-feira, dezembro 10, 2010

Procuro uma Amiga

Procuro uma Amiga

Que traga alegria
Para iluminar meu dia
Que seja sincera
E verdades diga
Sem medo de machucar
Uma Amiga para conversar
Sendo cúmplice da vida
Entendendo a volta e a ida

Procuro uma Amiga

Que dê as respostas em fim
Para entender de onde vim
Para onde vou
E quem sou

Procuro uma Amiga

Que goste de caipirinha
Que ame o vinho
Que goste de Rock
Que goste de Samba
Que ame o silêncio

Procuro uma Amiga

Que olhe a vida e a veja
Que sorria de volta
Que chore quando triste
Que goste do Sol
Que ame a Lua Cheia

Procuro uma Amiga

Que ame alguém
E este alguém não seja eu
Para podermos nos gostar

Procuro uma Amiga

Para ter saudades
Quando longe estiver

Procuro uma Amiga

Para versos escrever
Para que um dia os leia

Procuro uma Amiga

Que goste de dançar
Que goste do mar
Que ame a vida
Que não tema a morte
Para em outra vida
Pensarmos em nos encontrar








segunda-feira, dezembro 06, 2010

De Fernando Pessoa para a Amiga de Avaré

Não se acostume com o que não a faz feliz
Revolte-se quando julgar necessário

Alague seu coração de esperanças
Mas não deixe que ele se afogue nelas

Se achar que precisa voltar, volte! 
Se perceber que precisa seguir, siga!

Se estiver tudo errado
Comece novamente

Se estiver tudo certo
Continue

Se sentir saudades
Mate-a

Se perder um amor
Não se perca! 

Se o achar
Segure-o!

Mas, pelo tempo que durar....


sábado, dezembro 04, 2010

Construção

Retirei todos os desníveis
De meu coração

Fiz todo o aterro
De meu passado

Fiz o saneamento
Do nosso futuro

Com as mãos no cimento
Levantei os alicerces
De uma moradia
Para um novo amor

Sob mau tempo
Levantei uma nova casa

Telhado rústico
Portas e janelas
Para nos abrigar

Mas o Fiscal da Construção
Foi cruel

Nossa casa
Não tem habite-se

Serve apenas como fachada
De mais uma desilusão






segunda-feira, novembro 29, 2010

Para Dormir

A tarde, o sol pede clemência
A noite não pede licença

Chega impune e silenciosa
Como guerreira vitoriosa

Ao passar das horas o sono não vem
Divago e tento pensar em alguém

Para a insônia afastar de mim
E os olhos fechar por fim

Conto milhões de ovelhas e outros animais
Mas nem isto adianta mais

Busco um remédio para a noite
Que seja tão forte quando um açoite

Fecho os olhos e crio um roteiro
Uma estória de amor por inteiro

Busco a imagem de meu amado
A noite na praia ao meu lado

Promessas de amor jurando
Nos olhos profundos olhando

Assim crio meu noturno sonho
E meus desejos exponho

Ah Noite
Passastes de minha inimiga
Para minha melhor amiga

Pois só contigo posso sonhar
E mais um dia, por fim ganhar





sexta-feira, novembro 26, 2010

Tristeza

Estou triste
Ela ignora-me totalmente
A vista de todos
Não existo
Sou invisível

Cumprimenta a  todos
Menos a mim
Despede-se de todos
Menos de mim

Se amar um pessoa
Faz ignorá-la nas crises
Penso que o ódio
Não é verdadeiro

Mas o amor que é imenso
Desfaz-se aos poucos
E quem sabe no final
O coração ignore o presente
E por fim a felicidade volte


quinta-feira, novembro 25, 2010

O Tempo

Um telefonema desaba nossos mundos
E passam-se os segundos

Encontras-me e me ignoras
E passam-se as horas

Ódio em teus olhos irradias
E passam-se os dias

Fim de um amor sem pêsames
E passam-se os meses

Vivendo entre vários enganos
E passam-se os anos

Expectativas não atendidas
E passam nossas vidas

Ver o tempo entre meus dedos escorrer
É ter uma eternidade para morrer


terça-feira, novembro 23, 2010

Amiga de Avaré

As madrugadas ficam mais belas
Quando apareces entre janelas

Companheira da madrugada
Alegrando a noite ainda vaga

Será Avaré muito distante
Para um Poeta viajante ?



segunda-feira, novembro 22, 2010

Lua de Novembro

O sangue está mais quente
O ar está mais parado

Prenúncio de Lua Cheia
Chegando em Novembro

Com o corpo ardente
Sinto-me mais e mais agitado

O desejo minha mente recheia
As noites contigo relembro

Saio para a Lua admirar
E fico a conspirar

Estarão os Escorpianos
Como eu, tão levianos ?



sábado, novembro 20, 2010

Sentir falta de mim

Jurar esquecer o amor banido
Ultrapassar limites temporais

Levitar o peso do passado
Ignorar feridas ainda abertas

Alterar a loucura e a sanidade
Navegar sem bússola ou cartas
Antever uma paz futura

Lamentar os descaminhos
Alternar em camas vazias

Temer a solidão sem sol
Ouvir palavras não ditas

Recordar o que não houve
Realizar o impensado

Aguardar reações inesperadas
Compensar desejos injustificados

Adeus por fim

Sentir falta de mim

Inexplicável

Vem um nó na garganta
Quando por mim você passa
Tentar disfarçar não adianta
E qualquer ação fracassa

Tênue linha entre ódio e amor
Unindo e separando almas gêmeas
Que buscam solitário clamor
Nas nossas vidas heterogêneas

Minto que já és parte do passado
Minha mente dominando sentimentos
Lutando contra um coração apossado
Depois de tantos acontecimentos

És mais forte e ficas a me encarar
Com pensada indiferença para ferir
Este que jurou não mais te amar
Mas que na verdade está a fingir



sexta-feira, novembro 19, 2010

Desabafo de uma Mulher

Dentro de mim
Sufoca-me
Aquela que não quer mais falar

Dentro de mim
Maltrata-me
Aquela que não quer se mostrar

Dentro de mim
Vive outra
Que tem medo da luz

Dentro de mim
Devora-me
Aquela que tem medo dos homens

Dentro de mim
Morre outra
Que quer me matar


sábado, novembro 13, 2010

Obrigado Maria

O barro entrava entre meus dedos dos pés. O mangue era realmente feio. Bonita era Maria, ela corria entre as ramagens retorcidas. Aqui e ali, viam-se caranguejos e guaiamus. O Antônio estava enterrado até o peito na lama. Ele era o bom, sempre os pegava em maior quantidade.

Aos onze anos de idade, eu andava sempre atrás da Maria e não sabia por que. Talvez fosse a sua bunda tão fofa, que um dia vi quando se abaixou para mixar. Até este dia, só tinha visto as bundas de meus irmãos, iguais a minha. A da Maria era diferente, sua brancura contrastava com o negro da lama.
Maria se foi. O Tonho pegou cinco caranguejos e fomos embora. No caminho falou de suas últimas sacanagens: ele e o José andavam fazendo troca-troca. Disse que ia encontrar com ele agora. Pedi para ver e ele deixou.

Chegamos ao barraco onde morava o José, que estava jogando peão e veio correndo. Olhou os caranguejos e tentou contar, mas só sabia até três. Fomos até os morrinhos salpicados das dunas, sentei e fiquei esperando os dois começarem.

Primeiro foi o Tonho, todo sujo de lama. José deu um gritinho e pediu para ele ir depressa. Na vez dele, o Tonho se recusou e dizendo que estava atrasado, saiu correndo. José chorou, esperneou e, sujo de lama, voltou devagar para o barraco. Foi a terceira vez que o Tonho fez isto.

Continuava sentado quando umas mãos cobriram meus olhos e uma voz disse:
- Adivinha que é ?

Reconhecia a Maria pelo “quem”, pois ela falava “queeem”, mas fingi que não sabia que era ela. Ela falou pertinho de meu ouvido:
- é a tua Maria !

Pensava no sentido da “tua Maria” quando duas mãos correram rápidas ao meu pequeno sexo. Maria caiu sobre mim colocando meu sexo em sua boca. Tentava me separar – ela vai engoli-lo, só tenho um – gritei a toa.

O pequeno sexo ficou teso, Maria caiu de costas, abriu as pernas. Eu estava cada vez mais espantado, mas queria fugir, mas queria ficar. Pediu-me para deitar em cima. Eu tremia. Maria pegou meu sexo e colocou dentro dela.

- Se mexe moleque!
- Se mexe!

Qual um cão e uma cadela eu fiz. Maria puxou meus cabelos, me mordeu, me arranhou.

- Se mexe moleque !

Um calor fugiu de mim, fiquei tonto.

- Se mexe moleque !
- Levanta moleque !

Maria ficou de quatro. Sua bunda me olhava pálida. Assustado, me aproximei. Examinei cada detalhe d’aquela bunda – algo estranho.

- Se mexe moleque !
- Coloca aí também !

Eu não sabia onde. Um dedo indicou-me o lugar. Coloquei o dedão.

- Isso não moleque !
- O teu pau !

Obedeci.

- Se mexe moleque !
- Se mexe moleque !

Novamente o calor saiu. Maria me empurrou e colocou-o na boca.

- Chega moleque !
- É assim que tu tem que fazer !
- É com a Maria e não com moleque !
- Agora vai embora !

Corri. Entrei ainda assustado em casa, que estava vazia – todos no vizinho. Fui ao banheiro, chorei, me lavei e jurei não dizer nada a ninguém o que a Maria fez comigo.

Hoje penso que vários moleques também devem ter agradecido as Marias, que devem ser muitas neste mundo.

Obrigado Maria.


Signos

A intensidade dos sentimentos
Faz pender a balança das emoções

O amor e o ódio em equilíbrio
Dinâmico como a natureza sábia

Sabia premonitivamente dos fatos
Que ocorreriam em nossa união

A leveza de teus gestos e palavras
Fundiram-se com minha eterna procura

A história é igual há séculos
O coração infeliz procura a luz

Encontrei não só a luz em ti
Descobri não só a arte que te criou
Uma pessoa muito agradável
A magia inerente a homogeneidade de ideias

Das premonições que tive tempos atrás
A que marcou foi o início e o fim

O início que durou um ano e mais
Talvez tenha sido pensado pelo destino

Quis ele que
Tivéssemos passados situações tristes
Tivéssemos perdido um amor
Tivéssemos grandes decepções

Até tomar a decisão de acabar
Todos os relacionamentos que tinha
Como o coração aberto ao mundo
Quis ele que te encontrasse

E te encontrando, quis ele
Que todos meus sonhos voltassem à tona
Apaixonar-me foi consequência

Consequência de tamanha intensidade
Que toma vida independente de nós

Nunca, até então, fui tão seguro
De uma paixão diuturna, verdadeira

Mas os Signos tomam conta de vidas
Que estão presas à semiótica secular

Os Signos do sofrer
Os Signos das camas vazias
Os Signos da solidão
Estão tatuados em mim
Embora minimizes com um “decidas”
Não é assim....

A necessidade de almas que se fundem
É traduzida pelo sexo

É as vezes tão bom
Quando se pode e se quer
Que até uma rua vazia
Transforma-se num altar dourado

Existem outros Signos de possessão
De onde emergem tristezas emboloradas
Depois de séculos no porão úmido
Que é o inconsciente indesejado

Não me queres fumando
O Signo é o desrespeito a ti
E a mim mesmo

Não me queres longe de ti
Como se pudesses não me prender
Com a magia que tens e não percebes
E de mim,
Queria-te apenas minha

Signos de sofrimento
É a insegurança
E a falsa fidelidade

Não tento explicar o fim
Pois não há
Tudo é cíclico

Apenas, na circunvolução das vidas
Os sentimentos tornam-se antagônicos

Podias amar
Podes odiar
Podes ser indiferente

Não eu
Sei o que significas em minha vida

Não será amanhã
Que deixarei de gostar de ti



O Sino no Chaveiro

Os símbolos que temos a nos acompanhar
São muito complexos de se decifrar

Um exemplo que se fixou em minha vida
É um simples chaveiro
- Dado até após muita insistência –
Com um Sino

Dos Antigos sabemos que os sinos tocam
Signos de vida
Que afugentam
Signos da Morte

Compreendi na viagem de moto pela Rio – Santos
O quanto um objeto representa o elo entre os seres

O simples barulhinho do Sino
Quando a moto batia nos buracos
Lembrava-me que todo sentido
De viver vale a pena

Compreendi que um Sino
- distante e a 160 –
Representava o quão é imortal uma amizade

Desde então
Sou mais feliz



Olhos

Defino o teu olhar
Diamante que corta
Expõe sentimentos ocultos de ti

Simples para desvendares
Que sou
Que posso ser teu
Olhando-me assim
Tão de perto

Desvio o olhar
Focalizo teus lábios carnudos
Imperceptíveis palavras escapam

Decodifico com incredulidade
A insegurança da vida tem força
Sobre a definição da paixão

Ainda me olhas
Olho teus olhos
Sussurras
Quero te amar
  
Olho teus olhos
Decifrastes-me

Simples quando se sabe
Ser uma mulher como és



Volta à Sampa

Voltar à Sampa após longa ausência
É percorrer as trilhas de um passado
Que gosto de lembrar como ilhas da Rio – Santos
Que embelezam meus olhos cansados
De tanta natureza agredida por caprichos do homem

O passado pesa como uma garupa indesejável
Que esperamos que desça na esquina
Mas que por razões inexplicáveis permanece
Até segurando na cintura e sussurrando ao ouvido
Promessas de futuros sem definições e com sabores
Que lembram frutas verdes e amarram

Mas, seguir viagem é destino de todos nós
Navegantes da nau chamada Terra
Perdida dos portos sagrados e a deriva
Neste universo de milhões de milhas
De ilusões na terra de ninguém

Imaginando algum porto seguro
Sem bússola e com o leme quebrado
Naveguei em círculos e voltar a ti
Sampa

Tens rios e mares que já conheço
Sabendo-os inconstantes
E com traiçoeiras correntezas
Lanço novamente as âncoras e amarras
Em um porto que conheço muito bem
Bexiga





Distância do Destino

Do indecifrável passado que tivemos em comum
São conhecidos apenas os lugares perdidos
Entre a Avenida Paulista e a Consolação
Onde poderíamos ter construído um futuro

Andar na Paulista é navegar contra a correnteza
Do passado de tuas águas
Onde mergulhei tantas vezes
Como Albatrozes que agora se divertem
Na praia vazia que é meu coração

Se lembranças estão
No asfalto da Paulista
E na escadaria do Gazetão
É devido às transformações feitas pelos homens
Que constroem o mundo e encurtam as distâncias
Tornando o Japão tão perto

O que são vinte e quatro horas de voo até lá ?
Já gozamos mais tempo num só dia na cama
Que viajar até o céu e o inferno era apenas
Orgasmos que tínhamos entre promessas de amor

Por se ter uma distância e um destino a cumprir
É que meus dias e noites não têm mais fim
E o cansaço da mente exausta
De viajar até você no Astral cósmico
Pede o nascimento do sol de um novo amor



Uma Vez

Uma vez amei
Uma vez senti o amor
Explodindo em teu gozo

Uma vez gozei
Uma vez sentir o gozar
Explodindo em teu amor

Uma vez fui homem
Uma vez fui mulher
Explodindo em teu sexo

Uma vez fui poeta
Uma vez fiz versos
Explodindo em tua inspiração

Uma vez fui feliz
Uma vez fui teu

Agora em tua distância
Sou apenas saudades





Bares e Boates

Poderíamos não ser inconsequentes
Mas muito nos faz indiferentes

Ontem na cama balançávamos
De manhã os lençóis manchados

Hoje juntamos os mútuos achados
Entre as farpas que atirávamos

As vezes encontravas-me no bar
Com mulheres no colo a beber

Olhavas-me nos olhos a perguntar
Onde está a vida que iríamos viver

Talvez já tenhas um outro amor
Eu não, apenas uma vida incolor

Onde só 
Vivo
E vejo
Cores nas luzes
Dos bares e boates