Sonhos Mútuos
Dirigir
de Itapoá para São Paulo é sua rotina de finais de semana nos últimos três
anos.
Ele
está acostumado com as surpresas que a Régis Bittencourt pode apresentar em
cada curva e deixa uma parte do cérebro tomar conta da pilotagem, como em
estado de meditação Zen.
O
Ipad tocando músicas aleatoriamente dá o ritmo da viagem, até que uma delas lembra
o tempo em que o amor por Ela era parte da existência e razão da felicidade no
coração.
O
rosto dela gruda em suas retinas e a estrada fica em segundo plano.
Qual
a razão dela voltar assim tão forte, quase que fisicamente no banco do
passageiro?
Nas
sete horas da viagem vem a recordação do começo, meio e fim do relacionamento. Um
filme de cinema mudo - apenas cenas. Sem som.
Mas o amor por Ela existe, por ser eterno. Intuitivamente
nasce um desejo de saber como Ela está.
Ela
está bem?
Seu
filho está crescendo e ficando parecido com quem?
Como
está a segunda gravidez, desta vez uma Menina, né?
Perguntas
acumulam-se até chegar em São Paulo.
Surpresa.
Na Segunda Ela liga. Sonhou com Ele. Preocupada estava - uma má intuição. Ele
entende, sonhou acordado com Ela e preocupado também estava.
Fazem
um resumo da vida e estão bem. O Menino cresce e já está na Escolinha. A Menina vem em Março. Ele fica feliz.
Não dizem, mas
concluem: ter sonhos mútuos é sintoma de amor.

Um comentário:
Fantástico!É envolvente a história!
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