quarta-feira, fevereiro 20, 2019

Sonhos Mútuos

Sonhos Mútuos

Dirigir de Itapoá para São Paulo é sua rotina de finais de semana nos últimos três anos.

Ele está acostumado com as surpresas que a Régis Bittencourt pode apresentar em cada curva e deixa uma parte do cérebro tomar conta da pilotagem, como em estado de meditação Zen.

O Ipad tocando músicas aleatoriamente dá o ritmo da viagem, até que uma delas lembra o tempo em que o amor por Ela era parte da existência e razão da felicidade no coração.

O rosto dela gruda em suas retinas e a estrada fica em segundo plano.

Qual a razão dela voltar assim tão forte, quase que fisicamente no banco do passageiro?

Nas sete horas da viagem vem a recordação do começo, meio e fim do relacionamento. Um filme de cinema mudo - apenas cenas. Sem som.

Mas o amor por Ela existe, por ser eterno. Intuitivamente nasce um desejo de saber como Ela está.

Ela está bem?
Seu filho está crescendo e ficando parecido com quem?
Como está a segunda gravidez, desta vez uma Menina, né?

Perguntas acumulam-se até chegar em São Paulo.

Surpresa. Na Segunda Ela liga. Sonhou com Ele. Preocupada estava - uma má intuição. Ele entende, sonhou acordado com Ela e preocupado também estava.

Fazem um resumo da vida e estão bem. O Menino cresce e já está na Escolinha. A Menina vem em Março. Ele fica feliz.

Não dizem, mas concluem: ter sonhos mútuos é sintoma de amor.


Um comentário:

Unknown disse...

Fantástico!É envolvente a história!