terça-feira, agosto 13, 2019

Do Emissário à Ponta da Praia

Do Emissário à Ponta da Praia


Estaciono a Moto
Dispo a armadura
De Sunga correr

Na Praia
4 Elementos
Nada pensar

Ajusto o GPS
Alongo os Músculos
Miro a Ponta da Praia

Do Emissário
Inconscientes olhos
Vêm ao fundo a Ilha Porchat

Impossível não lembrar
Começos e Fins
Fins e Começos

Na Praia
4 Elementos
Nada pensar

Passando a Ana Costa
O Cassino Atlântico
Revive lembranças

Até o Canal 5
Desvio de tua presença
Aflorando em mim

O Prédio onde moravas
Sequestra meu olhar
E teu apartamento busco

Na Praia
4 Elementos
Nada pensar

A intensidade do Amor
A intensidade do Ódio
Rompe o Silêncio

Chego na Ponta da Praia
Orações feitas
Nado e a Alma lavo

Miro o Emissário
Voltar ao início
Como a Vida

Na Praia
4 Elementos
Nada pensar

Expulsa dos Pensamentos
Substituída pelo último Amor
Sem teu consentimento
Este também teve a Ilha Porchat
Como testemunha
Outro fim

Fecho os Olhos
Por alguns minutos
Guiado por outros sentidos

Na Praia
4 Elementos
Nada pensar

Duas Mulheres
Dois Amores
Em Temporal distância

Em comum
O Início e o Fim
Em uma Ilha

Volto ao Emissário
Círculo perfeito
Desenho na areia

Terra, Fogo, Água e Ar

Na Praia
4 Elementos
Nada pensar




sexta-feira, julho 26, 2019

Pretéritos

Pretéritos


Pretérito Imperfeito
Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual
Mas que não foi completamente terminado.

Ele a amava quando se separaram.

Pretérito Perfeito (simples)
Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual
E que foi totalmente terminado.

Ele escondeu o amor por Ela.

Pretérito-Mais-Que-Perfeito
Expressa um fato ocorrido antes de outro fato já terminado

Ele já tinha amado quando Ela chegou em sua vida. (forma composta)
Ele já amara quando Ela chegou em sua vida. (forma simples)

Pretérito Perfeito (composto)
Expressa um fato que teve início no passado
E que pode se prolongar até o momento atual.

Ele a tem amado em silêncio.

O Verbo Amar não se conjuga nos Pretéritos
É Presente Contínuo



domingo, julho 21, 2019

Boca

Boca


Da profundeza de tua boca
Vem a intensidade do prazer
Que eleva meus sentidos

Totalmente a Ti entregue
Desfaço-me temporalmente

Em meu urro
A felicidade




sábado, março 02, 2019

Mentira 2

Mentira 2



Verdade que minto
Dizer que nada sinto

Em meu orgulho
Palavras engulo

Um engano
Feito o dano

De dia não te amo

A noite por ti clamo






quinta-feira, fevereiro 28, 2019

31 Dias

31 Dias


Um mês e um dia
Rápido esquecimento

Em minha covardia
Mato o sentimento

De teu amor dependia
Com teu consentimento

Assim só terminaria
Com meu banimento

Bate a nostalgia

De ti sedento
O amor reinvento

E quem diria
Que de ti esqueceria ?



terça-feira, fevereiro 26, 2019

A Tempestade

A Tempestade


A parada em Registro depois de 4 horas é uma oportunidade de esticar as pernas e tomar um café para despertar a parte do cérebro que estava adormecida.

Do Graal podem-se ver as nuvens carregadas, escuras como o Café, indicando que uma feroz tempestade será uma companheira para o restante da viagem. Observando com mais detalhe, parecem ser cúmulo-nimbos, com um perfil vertical e emanando muitos raios e relâmpagos.

Pensar que esta tempestade será diferente de todas as outras já enfrentadas provoca uma certa apreensão e imaginar-se abrindo o portão de casa em São Paulo é um conforto antes de seguir viagem.

Logo depois de sair do Graal, o primeiro impacto é sentido: as rajadas de vento jogam o carro lateralmente, como uma grande mão brincando com ele. Trinta quilômetros mais e um diluvio desce dos céus acompanhado de granizo e raios que cegam momentaneamente como que caindo em frente ao carro. O final do entardecer termina repentinamente e a noite chega sem pedir licença.

Sair da Regis e entrar para a Padre Manuel da Nobrega é difícil decisão. Onde é melhor enfrentar esta tempestade? Talvez pela Baixada Santista seja melhor que cruzar São Paulo no final da Regis.

Nos primeiros quilômetros sente-se a sua força. As árvores dobram-se e galhos voam pela estrada, como pedestres bêbados cruzando a pista

Os limpadores não vencem a chuva torrencial e tornam-se coadjuvantes da impotência dos motoristas incautos que seguem em frente, a dez quilômetros por hora, procurando por uma faixa- do meio da pista ou lateral, que ajude a não sair da estrada.

Três corajosos motoristas seguem, talvez sem opção de voltar, com os pisca-alertas ligados, buscando, talvez, uma boa razão para não desistirem e entregarem-se à Tempestade.

Antes de Peruíbe, várias arvores que sucumbiram aos ventos estão desafiadoramente deitadas na pista, algumas caindo em frente ao comboio dos corajosos.

O trajeto que leva normalmente uma hora, é feito em longas três horas, que travam as pálpebras e aguçam os sentidos para estar totalmente alerta e focado em não sair da pista. Os ouvidos zumbem, talvez pela falta de outro som que não seja o bater da chuva e os trovões.

Os clarões dos relâmpagos e raios cegam na escuridão e algumas curvas são feitas com algumas rodas no acostamento e passando por galhos caídos.

A quase reta de Peruíbe até Praia Grande é uma piscina, onde carros aquaplanam, como nadadores inexperientes. Melhor seria se anfíbios fossem.

A Imigrantes é um rio com correnteza contrária ao fluxo dos veículos. As motos sumiram da estrada, talvez estejam em algum local protegendo-se das rajadas do vento.

No planalto da Imigrantes vários carros param, aguardando uma melhora da Tempestade que não chegará. Um longo comboio segue a menos de dez quilômetros por hora. Pelo menos as marcações das pistas são quase visíveis e servem de guia para os ainda Corajosos Motoristas.

Talvez por estar sendo atrasada pela Serra do Mar, a Tempestade ainda não atingiu São Paulo. 

Abrir o portão e entrar na garagem parece o final de uma maratona – os músculos retesados já não possuem energia para serem dobrados. Os esternocleidomastoideos retesados pedem por mãos macias massageantes.

A Natureza demonstrou nesta Noite que o ser humano e sua máquina não podem derrota-la e sim aceita-la e sobreviver aos seus ímpetos.

Na longa ducha quente, recompor a consciência e aceitar este fato.



quarta-feira, fevereiro 20, 2019

Sonhos Mútuos

Sonhos Mútuos

Dirigir de Itapoá para São Paulo é sua rotina de finais de semana nos últimos três anos.

Ele está acostumado com as surpresas que a Régis Bittencourt pode apresentar em cada curva e deixa uma parte do cérebro tomar conta da pilotagem, como em estado de meditação Zen.

O Ipad tocando músicas aleatoriamente dá o ritmo da viagem, até que uma delas lembra o tempo em que o amor por Ela era parte da existência e razão da felicidade no coração.

O rosto dela gruda em suas retinas e a estrada fica em segundo plano.

Qual a razão dela voltar assim tão forte, quase que fisicamente no banco do passageiro?

Nas sete horas da viagem vem a recordação do começo, meio e fim do relacionamento. Um filme de cinema mudo - apenas cenas. Sem som.

Mas o amor por Ela existe, por ser eterno. Intuitivamente nasce um desejo de saber como Ela está.

Ela está bem?
Seu filho está crescendo e ficando parecido com quem?
Como está a segunda gravidez, desta vez uma Menina, né?

Perguntas acumulam-se até chegar em São Paulo.

Surpresa. Na Segunda Ela liga. Sonhou com Ele. Preocupada estava - uma má intuição. Ele entende, sonhou acordado com Ela e preocupado também estava.

Fazem um resumo da vida e estão bem. O Menino cresce e já está na Escolinha. A Menina vem em Março. Ele fica feliz.

Não dizem, mas concluem: ter sonhos mútuos é sintoma de amor.


segunda-feira, fevereiro 18, 2019

Vácuo

Vácuo


Saístes de minha Vida
Por sincera opção

Uma volta sem ida
Vívida alucinação

Depois de tua saída
Os dias são em vão

O vácuo sinto
Noites são vazias

Ando no Labirinto
Que são meus dias

Meu Amor extinto
Lembranças fugidias

Sei que na Natureza
O vácuo não existe

Vejo com clareza
Fico mais triste

Outra virá
Ocupar teu lugar


domingo, fevereiro 17, 2019

Pescaria

Pescaria


Sob o Sol de Itapoá
Pescaria relaxante

Entre lançamentos
Colocar camarões
Esperar a fisgada

Passas por mim
Sorriso maroto
Ficas a distância

Voltas

Olhar faminto
Lanças teu anzol
Fisgado estou

Em tua casa
Sou devorado


domingo, fevereiro 10, 2019

Vestígios


Vestígios



Acabou
Dissestes-me

Volto para casa
Tua toalha
Teu desodorante
Ainda estão no banheiro

Deixo-os lá
Por uma semana
Na esperança de teu retorno

Em vão

Hoje decidi
Eliminar teus vestígios

Fraco
Não consegui
No fundo do armário
Ficarão escondidos




Ilha Porchat III

Ilha Porchat III



Procuro entender a relação
Com a Ilha Porchat


Qual a razão do amor
Terminar
Com a Praia de Santos
A olhar-me ?


Na volta da corrida
Do Emissário à Ponta da Praia
Olhava a Ilha


Enquanto existia Amor
Feliz
O corpo mais leve ficava


Agora
Olho-a
Tristeza imensa

O corpo pesa
Mesmo com o coração vazio