sexta-feira, agosto 26, 2016

Amarras e âncoras

Amarras e âncoras


Gostas de porto abrigado
Lançantes presos
Amarras retesadas

A segurança sentida
Acostada as defensas
Sentir o firme solo

Amor a poucos passos
Desembarcar e abraçar
Amigos e Família

Sem medo da tempestade
Sem o abalo das ondas
Sem medo do mar

Gosto do mar revolto
Sem abrigo a vista
Sem seguro porto

Lanço âncoras
Quando parar desejo
Imóvel não fico

Balanço com as ondas
Viro com os ventos
Abraçado ao mar

Diferentes somos

Quando quero ir
Levanto âncoras
Vou embora

Quando queres ir
Pedes que soltem as amaras
Dependes de outras pessoas

Ancorado ao largo
Vejo tuas amarras
Na mudança do tempo

No mar aberto
A tempestade bate forte
Impacto de altas ondas

Vou embora
Na amplitude da maré
Em lua cheia


Translado
Rotaciono
Caturros e arfagens

Popa para novo destino
Terra diminuindo rapidamente
Teu porto ganha distância

Enquanto navego
Ficas amarrada
Na tua segurança

Assim foi minha paixão
Instantaneamente platônica
Como em noite escura
Navios se cruzaram
Não se notaram

Que ventos e correntes
Levem-me a mar aberto
Sem bussola a me guiar

Encontrarei outra baía
Para âncoras largar




terça-feira, agosto 23, 2016

Presentes Manauaras

Presentes Manauaras


Linhas paralelas traçamos
Não mais nos falamos

Sinto que está acabado
E nunca ter começado

Horas em telefonemas
Foram como algemas

Prenderam-me na distância
Mas foram advertência

Ainda feliz fui ao mercado
Pensando em ti no presente comprado

Bancas vivas
Artesãs criativas

Pedra azul busquei
O Topázio achei

Ervas também comprei
Tratar-te bem pensei

Na bagagem teus presentes
Como saudades crescentes

Com Manaus na retina
Voltar é uma rotina

Passam os dias
De mim judias

Sem telefonemas
Noites são dilemas

No paralelismo traçado
O coração despedaçado

Os presentes guardados
No escuro mergulhados

Esperam novo destino
Novo amor clandestino

Que presentes queira receber
Que ame sem perceber

Que lembre Manaus
Como belas naus

Que veja no espelho
Nos olhos um conselho

Presente não dado
Não fecha o passado

Fica aberta a ferida
Da paixão não vivida



sexta-feira, agosto 12, 2016

Beijo Cravado

Beijo Cravado


Bocas entreabertas
Tempo imobilizado
Odores captados

Procuro o Cravo

Sinto seu cheiro
Quero seu sabor
Em tua boca

Veneno sem antídoto
Em lábios desejados
Suicídio induzido

No beijo cravado
Teu novo escravo


segunda-feira, agosto 08, 2016

Ducha

Ducha


O Frio lá fora
Mais quente a água torna
Conclusão simplória

Olhos fechados

Tua imagem
Colada na retina

Ducha relaxando neurônios
Aumentando a distância de ti
Lavando e levando teu rosto

Encanto desfeito
Esvais-te na espuma

Pelo platônico ralo
Fluída despedes-te

Olhos abertos

Ducha
Levaste minha Amada



domingo, agosto 07, 2016

Olhares Trocados

Olhares Trocados



Tua ida
Meu retorno
 Encontro inesperado

Uma despedida
A tarde como adorno
O coração acelerado

Penso e não digo
Quero ficar contigo

Olhar amigo
Fico a pensar

Se ela comigo
Quer ficar

Olhares trocados

Tua janela da alma
Não me acalma

Tu vais
Eu volto
Dinâmica vida
Em teus olhos



quinta-feira, agosto 04, 2016

O Vinho e a Leoa

O Vinho e a Leoa

Uvas colhidas
Morrem amassadas

DNA fermentado
Nasce Carmenere

Poderosas sinapses
Molham lábios

Ficas mais Bela
Leonino olhar
Não posso evitar

Mamífero Carnívoro
Aracnídeo
Fábula zodiacal

Dominas toda cena
Atenta a presa
A tua frente

Prazeres descobertos
Sabores agridoce
Tornam-te sedutora

Não percebes
Vitoriosa és
Estou dominado

Escorpião fugidio
Disfarce sútil
Garrafa vazia
Corações carmenerizados

Beijo faces rosadas
Na despedida indesejada

Noite insone
Raiva escorpiana
Janela da alma aberta
Esperando a Leoa
Buscar sua presa

Amanhece
Ondas sussurram
Leoas só caçam
Presas que se entregam