domingo, outubro 22, 2017

No Fim da Rua

No Fim da Rua


No fim da Rua tinha um Navio
Tinha um Navio no fim da Rua

Tinha um Navio
No fim da Rua tinha um Navio

Nunca me esquecerei deste acontecimento
Na vida de minhas idas e vindas cansadas

Nunca me esquecerei que no fim da Rua tinha um Navio
Tinha um Navio no fim da Rua
No fim da Rua tinha um Navio

(parafraseando o Mestre Carlos Drummond de Andrade)


quinta-feira, agosto 03, 2017

Cupido

Cupido



Amar
Arma
Armar

Dor
A Dor
Ardor

Ama Dor
Amador

Amar
Ardor
Dor

Armar a Arma
Amador

Enfim
Por fim

O Fim

A Dor
O Amor




quinta-feira, julho 27, 2017

Agosto

Agosto



Julho termina
Pensa e relembra
Volta um ano

No começo
Apenas olhares
Início de Agosto

Meses de Vinhos
Jantas e risadas
Descobertas mútuas

Aceitam o gostar
Companhia inconstante

Descobrem o amar
Entre beijos roubados
Segredos acordados

Novembro chega
O bom sexo
Cumplicidade no prazer

Aplicam a teoria
Onda ou Matéria
Brigas
Silêncios
Separações

Pausa

Almas afetadas
Necessitam perdão

Perdoados
Novos sentimentos

A distância é saudade
Horas no telefone
Mentes e Corações
Acordam nova relação
Livres dizem

Fazem planos
Incertos ou Impossíveis
Fugas pontuais

Passam os meses
Passa um ano

Cresce o amar
Aumenta a Dependência

Planejam a comemoração
Um ano
Entre altos e baixos
Quase contínuo

Planos desfeitos
Desejos reprimidos

Incompreensão
Afastados ficam

Uma semana passa
Agosto chegando

A saudade
Tem outro gosto

Sem telefonemas
Silêncio mortal
Pensam no final

Livres são
Em Agosto acordarão



quinta-feira, julho 20, 2017

Viagem em Santa Catarina

Viagem em Santa Catarina



Um frio na barriga
Sair de moto
Estradas desconhecidas

Partir é fácil
Penso nos destinos

Florianópolis
Serra do Rio do Rastro
Urubici

Previsão de Sol
Dias gelados
Gelo na pista

Praias lindas
Desafiam meus olhos
Até Floripa
Cidade acolhedora
Cerveja na beira mar

Nada penso
Só lembrança
De uma música

Epitáfio
Titãs

“Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer

Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria
E a dor que traz no coração

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor

Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr”

Na beira mar
Fico até o sol se por
Desejando o acaso me proteger

Durmo em Floripa
Aceitando a Vida
Como ela é

Vejo o Sol nascer
Saio cedo
Pensando na alegria
Que vier

Rumo a Serra do Rio do Rastro
Deslizando os olhos
Entre o Mar e a Serra

Ao pé da Serra
O frio na barriga
Mas devo arriscar mais
E até errar mais

A subida hipnotiza
Gelo e Sal na pista
Arrisco e não erro

Curvas prendem um olho
A serra segura o outro
Dirigir distraído

No topo da Serra
Sei da alegria
Que trago no coração


O frio bate forte
Café quente
Paisagem deslumbrante

Observo os viajantes
Aceito
As pessoas como elas são

Sigo para Urubici
Terra de turismo
Frio alucinante

No Posto Ipiranga
Recebo as dicas
Acho um hotel
Deixo a moto
Ando distraído na cidade
Corto o cabelo

A noite chega
Aos -3 graus
Cama grande
Vazia e fria

Uma caipirinha
Importo-me menos
Com problemas pequenos
Telefonas
Mudas os planos
Desisto

E pensar
Mais uma vez
Ter morrido de amor

Quero aceitar
A vida como ela é
E a dor que traz ao coração

Acordo cedo mais uma vez
Ver o sol nascer
A -1 grau

Arrumo as bagagens
Moto pronta
Seguir viagem
Desejando o acaso me proteger

O gelo na pista
Suga-me a atenção
Derrapadas instantâneas

Visões belas
Estrada solitária

Ao pé da Serra
Volta o calor
Dispo-me da segunda pele

Voltar para Itapoá
Vontade de acelerar
Arrisco mais

Como o símbolo do Infinito
A Volta é a Ida
A Ida é a Volta

Retorno
Ainda canto

“Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier”



domingo, julho 02, 2017

Estrada das Lágrimas

Estrada das Lágrimas




 Ele dirige
Visão turva
Olhos lacrimejam

Ela em silêncio
Lembra palavras
Da noite passada

Dois estranhos
Um destino

Voltar é fácil
Só seguir
As Lágrimas na estrada


terça-feira, junho 20, 2017

Solstício de Inverno 2017

Solstício de Inverno 2017




Noite mais longa do ano
Sol no norte do equador

Lentas horas no coração insano
Cama vazia traz saudade e dor

Antigos festejavam o Solstício
Deuses pagãos eram liberados

Dança, Vinho e algum sacrifício
Mentes e corações alterados

Ponto de inflexão natural
Dias serão mais longos

Liberado o adormecido ancestral
Talvez dançar alguns Tangos

Mas depois da Meia Noite
A realidade num açoite

Longas e frias horas

Quarta Feira
Dia 21 de Junho
As 01h24

Por quem choras ?



Olhos Aquecidos

Olhos Aquecidos



Chega o inverno
Em Sampa

Na fria noite
Teu belo rosto
Aquece meus olhos





O Passar do Tempo

O Passar do Tempo



Segundo
Minuto
Hora
Dia
Mês
Ano

Separado mundo
Sonho absoluto
Alma chora
Presença fugidia
Corpo siamês
Pensamento insano

Em tua distância
Não chega saudade

É como um vazio
Relógio sem ponteiros

O passar do Tempo
Diminui o sentimento

Em tua demora
O fim do meu Amor


domingo, junho 18, 2017

Kirei na Onna

Kirei na Onna



Tua beleza oriental
Acaricia o Domingo
Desperta curiosidade

Penso se Ocidental
Aceitas contigo
Com graciosidade

Evitando um não
Lembro do Japão

Anata wa kawai to kirei na Onna dessu



sexta-feira, junho 16, 2017

Banho Matinal

Banho Matinal



Banheiro aberto
Tomas banho

Teu corpo belo
Esconde-se no vapor

O desejo volta ligeiro
Entro no box

Sabonete na mão
Percorro tuas formas

Demoro nas curvas
Crio brancas espumas

Ele escapa-me da mão
Procuro-o tateando

Abro os olhos
Teu sexo próximo

Beijo-o sob a ducha
Reinício teu prazer

Pegas o sabonete
Deixas cair e sorris

Ordem invertida
Dás-me prazer

Assim nasce o dia



terça-feira, maio 30, 2017

Es ist, so ist es

Es ist, so ist es



Hamburgo gelada
Busco refúgio

Bar vazio
Existentielles Vakuum

Cervejas chegam
Canecas vazias vão

Leeres Herz
Penso em ti

Bêbado
Filósofos chegam
Sentam a mesa
Ficamos amigos

Wer bist du ?
woher kommst du ?
wo gehst du ?

Sempre estas perguntas
Sempre a mesma resposta

Ich weiß nicht

Bebem e vão em vão
Tolos
Quem pensam que são ?

A resposta estava
Nas bolachas de chopp
Empilhadas na mesa

Es ist, so ist Es


segunda-feira, maio 22, 2017

Chuva e Saudade

Chuva e Saudade




Dois dias chovendo
Frio em Sampa

Sofá e Netflix
Pipoca com sal

Dois Puffs
Cobertor de casal

Como seria bom
Se aqui estivesses



terça-feira, maio 02, 2017

Ich vermisse dich

Ich vermisse dich




Frio e chuva
Itapoá oprime

Praia sem lua
Mar sem brilho

Apenas o quebrar
Das ondas

A maré sobe
Noite adentro

Sento na varanda
Primeiro no escuro

Tento caçar estrelas
Fugidias entre nuvens

Acendo a luz
Tento ver o perto

Na madeira da varanda
Um buraco negro

Nele mergulho
Busca impossível

Capturar matérias
Procurando por ti

Ele fita-me
Incrédulo também

Repete o moto
Tão perto e tão distante

Luzes movimentam-se
No mar escuro

Bombordo
Boreste

Vermelho
Verde
  
Mais um navio fantasma
Passa em minha janela

Como antigos Filósofos
Questiono-o

Quem és ?
De onde vem ?
Para onde vai ?

Responde em alemão
Guturalmente

Du bist allein
Wo ist sie?

Não me conheces
Sabes o que sinto ?

Ich kann nicht übersetzen
Vielleicht Sehnsucht

Procuro um dicionário
Saudades em Alemão

Várias palavras
Traduzindo-me

Tento comunicar-me
Falar sincero

Ich vermisse Sie
So bin ich traurig

Questiona-me
Falaste com Ela ?
Dissestes o que sentes ?

Noch nicht

Dann sagen

Tomo coragem
Quero te dizer

Ich liebe dich
Ich vermisse dich
  
O buraco incredulamente
Aproxima-se incauto

Olhos no olhos
Vê o amor
E a dor da Saudade



domingo, abril 30, 2017

Cinema

Cinema




Convidas-me ao cinema
Aceito no final da tarde

Chegas de Tailleur
Antevejo tuas pernas

Compras os ingressos
Sorriso enigmático

Entramos as escuras
Surpreso com o luxo

Poltronas reclináveis
Vinhos e tira-gostos

Acomodados estamos
Levantas a divisória

Aconchegastes mais
Perigosamente perto

Apagam-se as luzes
Apertas minhas coxas

Minhas ágeis mãos
Percorrem tuas coxas

Passa o filme
Aumenta a tensão

Ligeira tiras a calcinha
Expões teu sexo

Dedos imersos
Teu prazer

Buscas meu sexo
Abres meu zíper

Quase expostos
Luzes em movimento

O Garçom é chamado
Nas poltronas a frente

Prazer recolhido
Êxtase adiado

Termina o filme
Resiliente tesão

Deixas teu carro
Entras no meu

Na escura marginal
Direção insegura

Buscas meu sexo
Tua quente boca

Dás-me prazer
Satisfeitos estamos

Voltamos ao estacionamento
Cada um em seu carro

Voltamos pensando
O filme não vimos