Loucura - 1
Por mais que me perguntes
Os motivos que me levam à loucura
Não terás uma resposta sequer
A loucura é o estado dos seres livres
Onde a mente pode abster-se
De todas as futilidades
Desta vida normal
Monótona e paulistana
Dizem que pirei
Estou lelé, lelé
Penso que sou um átomo
De sexônio 69
Passeio entre grutas
Entre tecidos cheirosos
Estou louco
Quando nas manhãs acordo
Conto os dias até morrer
Abro a janela e discordo
Do verde, das flores a escolher
É a morte chegando à idade
Envelhecemos juntos e retirados
Talvez unidos sejamos atirados
Numa cova rasa, sem nomes
Sem datas, ou coisa que indique a causa
A vida será por fim ingrata
Quando, do podre, toda a náusea
Vier desabar no perfume
Do paletó encomendado para meu enterro
Assim, ou nas chamas do inferno
Ou nos cumes das nuvens do céu
Viverei meu último desterro
Um comentário:
Eu acho que sou perfeitamente normal, lelé são os outros, isso sim! Foram muitos anos tentando ser aceita, ser gostada, agradar a todos, ser totalmente pasteurizada! Sinto que tenho um longo caminho pela frente mas estou desgarrando do rebanho, ainda com certa dificuldade para controlar os caprichosos desmandos da minha alma sonhadora... Abster-me das futilidades? Seria fácil se eu conseguisse identificá-las! Ando tão "sangue nozoio"... Emoções à flor da pele... De acordo com o ex - prisioneiro do Mito das Cavernas de Platão, o reverenciado Filósofo Friedrich Nietzsche "Tudo é precioso para aquele que foi, por muito tempo, privado de tudo"...
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