Chorando em silêncio na Garagem
Com um aperto insuportável no coração
As lágrimas caem
As Akitas olham sem entender
A mente forma imagens
De ti amanhecendo em outros braços
Sento no chão para carinho receber
Uma lambe minhas lágrimas
Por ser extremamente doloroso
Outra fica distante
Ela sabe o que é sofrer
E com ela tento conversar
Imaginando que no mundo canino
Não exista tanta dor a suportar
A razão e o tempo
A confusão e o choro solitário
Afago as duas e sou retribuído
Um consolo inesperado
Tempo de repensar
E mais lágrimas caem
Tento ler o jornal
As imagens não fogem
A dor aumenta
Ninguém para desabafar
Nenhum amigo para aconselhar
Pergunto as Akitas
Apenas olhares recebo
Querem passear
Não têm interesse em minha dor
Querem me distrair
Adiar o choro compulsivo
Espantar as imagens
Levo as Akitas para passear
As lágrimas ficarão pelo caminho
O Tempo será o Senhor da razão
Em um universo caótico
Que reina em meu coração


