domingo, maio 23, 2010

Duas Akitas

Chorando em silêncio na Garagem
Com um aperto insuportável no coração

As lágrimas caem
As Akitas olham sem entender

A mente forma imagens
De ti amanhecendo em outros braços

Sento no chão para carinho receber
Uma lambe minhas lágrimas
Por ser extremamente doloroso

Outra fica distante
Ela sabe o que é sofrer
E com ela tento conversar
Imaginando que no mundo canino
Não exista tanta dor a suportar

A razão e o tempo
A confusão e o choro solitário
Afago as duas e sou retribuído
Um consolo inesperado

Tempo de repensar
E mais lágrimas caem

Tento ler o jornal
As imagens não fogem
A dor aumenta

Ninguém para desabafar
Nenhum amigo para aconselhar

Pergunto as Akitas
Apenas olhares recebo
Querem passear

Não têm interesse em minha dor
Querem me distrair

Adiar o choro compulsivo
Espantar as imagens

Levo as Akitas para passear
As lágrimas ficarão pelo caminho

O Tempo será o Senhor da razão
Em um universo caótico
Que reina em meu coração


Rei das Batidas, Ilha Porchat e a Corrida na Praia



O Começo

Sentada em minha frente
No Rei das Batidas
Tem um olhar diferente


Uma mesa em especial
Lembra muitas vidas
Ainda sem um final


Fala de sua vida
Sorri das passagens
Uma alegria escondida


Na mesa vazia ao lado
Ainda vejo as miragens
De futuros sem passado


Erros cometidos em vão
Da vida o aprendizado
E as feridas do coração


As poesias do Osmar
Do amor politizado
Entre remar ou amar


Olhares trocados
Cada um para seu lado
Com corações tocados



O Meio


Café de manhã e a tarde
A ligação crescente
É um calor que arde


Confusas equações
Pensamentos soltos
Dividem corações


As escolhas no Café
Leva à mares revoltos
À reza e à fé


O Conhecido
O Improvável
O Desconhecido


Um adotado
Outro entre viagens
Nenhum descartado


Na mesa vazia ao lado
Ainda vejo as miragens
De futuros sem passado


Algumas premissas
Apenas um compromisso
Mentiras nunca ditas


Verbos intransitivos
Rapidamente conjugados
Ficar, gostar e amar


Sexo e prazer
Corpos exaustos
Almas unidas pela entrega


Bêbedas alegrias
Na Ilha
No Interior


Poemas repentinos
Mensagens instantâneas
Celulares e torpedos


Renovar juras
Cumplicidade diária
Olhares se procuram


Pés sob as mesas
Ansiedade física
Desejos molhados


Beijos roubados
Cheiros e gostos
Banhos matinais



O Fim


Demandas não atendidas
Expectativas frustradas
Noites solitárias


Compensar premissas
Preencher o vácuo
Aquecer os lençóis


Tentando ser mais igual
Premissas foram esquecidas
A promessa não cumprida


Frágil elo
Não resiste a dor
Reabre feridas


Sangra o coração
O fim está próximo
Avisa o Poeta


Lembrar do Poeta
Quem cedo ao amor chegar
Menor memória da felicidade terá


Momentos felizes
Poucos mas intensos
Não devem ser esquecidos


Café solitário
Parar e Pensar


Na mesa vazia ao lado
Ainda vejo as miragens
De futuros sem passado


Dualidade colorida
Rosto em sobras
Polaridade neutra


Correr e pensar
Prédio tortos
Vidas instáveis


Areia seca e dura
Ondas convidativas
Dualidade praiana


Morno Mar
Mergulho em Iemanjá
Conselhos pedidos


Ilha Porchat a frente
Lembranças duais


O fim da praia
O retorno da corrida


A noite no café
Sentimentos em conflito
Impossível decidir


Na mesa vazia ao lado
Ainda vejo as miragens
De futuros sem passado


Frente a frente
Rostos em sombras
Olhos vermelhos


Caminhar e pensar
Dialogar sentados
Olhos para o chão


Novas premissas
O ser igual
Na dualidade da vida


Imposição diária
Ver e sentir
Corações e mentes


Amor crescente abandonado
Belas memórias mantidas
Amizade cúmplice




Não é fim
É recomeço
Metade da corrida


Rotina diária
Volta ao Café
Ritmo da vida


Na mesa vazia ao lado
Ainda vejo as miragens
De futuros sem passado






domingo, maio 09, 2010

A Despedida e a Conjugação de Tempos Verbais

Algumas coisas começam com o verbo gostar

O Julian perguntando se eu gostaria de ir para Santos
Eu respondendo que gostaria

No começo todos perguntavam: está gostando ?
E eu respondia: gosto

O tempo é que faz algumas mudanças temporais

A presença contínua
As descobertas pessoais
As diferentes vidas
Os modos de ver e viver a vida
Os novos mestres

O verbo intransitivo amar chega repentinamente

Quando não se espera o gostar virou amar

E quando perguntam: está gostando ?
Eu respondo: não, eu amo

Passaram-se 5 anos e desta vez o Julian não perguntou se eu gostaria de
mudar. E novos desafios foram colocados em minha vida

Penso que uma das decisões mais difíceis em uma vida
É afastar-se do que se ama

Passar a conjugar o mesmo verbo em outro tempo verbal

O pretérito virá a frente
E um dia terei de dizer que amei

Mas deixa a vida me levar....

A Todos Vocês poderei dizer que amei:

Cada segundo que estivemos juntos
Cada Café da manhã e da tarde
As discussões e as pazes feitas

E que estarão sempre presentes em minha vida

Como diria um Colega Poeta... Para dores de amores só um novo amor......

Volto a São Paulo já com saudades de Santos.

Desejo que continuemos a fazer as nossas revoluções pessoais em
benefício dos que nos são próximos, física e mentalmente.

Fraternais Saudações
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g.c
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